Tauromaquia: José Mestre Batista homenageado hoje com uma estátua na sua terra natal
O cavaleiro tauromáquico José Mestre Batista, que revolucionou o toureio a cavalo, é hoje homenageado na sua terra natal, S. Marcos do Campo, no Alentejo, com uma estátua para perpetuar a sua memória e uma corrida de toiros.
A homenagem tem como objectivo "comemorar os 50 anos de alternativa de Mestre Batista" (1940-1985), natural de S. Marcos do Campo, localidade do concelho de Reguengos de Monsaraz onde o cavaleiro nasceu a 30 de Maio de 1940, disse à agência Lusa o presidente da Junta de Freguesia de Campo, José Tacão Rosado.
Promovida pela Junta de Freguesia de Campo, com o apoio da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, a homenagem, marcada para as 17:00, vai juntar a população local e muitos aficionados.
O programa da homenagem começa com a inauguração de uma estátua de Mestre Batista a cavalo, que ficará colocada numa rotunda à entrada de S. Marcos do Campo, aldeia localizada nas imediações da albufeira de Alqueva.
A estátua, que perpetuará a memória desta figura considerada impar do toureio a cavalo, tem quatro metros de altura e é uma obra do escultor Francisco Charneca.
Uma hora depois, decorrerá em S. Marcos do Campo uma corrida de toiros com a participação dos cavaleiros Joaquim Bastinhas e Rui Salvador, ambos afilhados de alternativa de Mestre Batista, e ainda Marco José.
Os toiros pertencem à ganadaria de S. Marcos e vão ser pegados pelo Grupo de Forcados Amadores de Évora, revertendo os lucros a favor da Associação de Solidariedade Social de S. Marcos do Campo.
A Comissão de Honra da homenagem integra algumas das pessoas que mais de perto conviveram com Mestre Batista, tais como Victor Martelo, presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, e o irmão e a prima do cavaleiro, respectivamente, Francisco Batista e Anastácia Batista.
Francisco Mascarenhas, cavaleiro tauromáquico que deu a alternativa a Mestre Batista, o matador Augusto Gomes, Bernardo Patinhas, cabo do Grupo de Forcados de Évora, António Garçoa, seu peão de brega de confiança e amigo que escreveu o livro "Mestre Batista - Toureiro de uma época", Rogério Amaro e António Cardoso, que foram empresários do cavaleiro, são outros dos membros da Comissão de Honra.
José Mestre Batista nasceu em S. Marcos do Campo em 30 de Maio de 1940 e com apenas 13 anos de idade fez a sua estreia como cavaleiro amador na Praça de Toiros de Mourão, em Fevereiro de 1953, durante as Festas da Senhora das Candeias, tendo lidado a sua primeira vaca em público.
Após esta primeira actuação e sentindo que necessitava de aprender equitação, porque até esse momento não tinha tido qualquer tipo de ensino, inscreveu-se na Escola de Mestre Nuno de Oliveira, onde esteve algum tempo.
Nas temporadas de 1954 a 1958 actuou como amador em diversas praças do país e recebeu a alternativa de cavaleiro tauromáquico, concedida por D. Francisco Mascarenhas, na Praça da Moita do Ribatejo em 15 de Setembro de 1958, depois de ter sido reprovado na Monumental do Campo Pequeno em Julho desse ano.
José Mestre Batista revolucionou o toureio a cavalo e era contratado pelos empresários nas principais praças e feiras do país.
Os empresários conheciam a sua enorme entrega nas arenas, a sua disposição de tourear qualquer ganadaria e sem vetar nenhum outro cavaleiro.
O público, que de início não compreendeu o seu toureio, rendeu-se à sua tauromaquia e assustou-se com o seu toureio frontal e ao piton contrário.
Se antes alguns o tinham tentado, foi José Mestre Batista que o realizou sempre, independentemente da praça onde actuava. Alguns, mais incrédulos, recomendavam aos que sofriam do coração que era perigoso verem "os ferros à Batista".
Foi com grande expectativa que muito público se dirigiu à Monumental do Campo Pequeno em 08 de Agosto de 1963 e com emoção viu, pela primeira vez, a competição entre dois marcos do toureio a cavalo: João Branco Núncio/José Mestre Batista.
Competição que se seguiu em muitas outras corridas. Depois Álvaro Domecq Romero/José Mestre Batista, lidando toiros em pontas mas à portuguesa e sem o desacelerador dos rojões de castigo.
A parelha Mestre Batista/Luís Miguel da Veiga foi o motivo de praças esgotadas em 1969 e originou enormes e acaloradas discussões dos aficionados. Cartaz que se anunciou por vários anos, com agrado do público que acompanhou os êxitos destes dois cavaleiros. Por fim, também a competição com o novo marco do toureio equestre, João Moura.
Mestre Batista sofreu algumas colhidas, tendo sido uma das mais graves na Praça de Espinho durante a temporada de 1973.
Dos vários cavalos que teve, há que destacar entre outros o "Falcão", sem ferro, e o "Forcado", com ferro Murteira Grave.
José Mestre Batista faleceu por doença em 17 de Fevereiro de 1985, na cidade de Zafra (Espanha), vítima de asma, e os seus restos mortais encontram-se em mausoléu no cemitério de Vila Franca de Xira.
MLM.