Embaixador do México lamenta proibição das actuações de menino-toureiro
24/06/2009, 13:19
O embaixador do México em Portugal, Mauricio Toussaint, lamentou já a decisão tomada pela Comissão de Protecção de Menores, que impediu o menino-toureiro franco-mexicano "Michelito" de tourear em Lisboa e em Portalegre. Em declarações à agência Lusa, Mauricio Toussaint disse lamentar a decisão tomada pelas autoridades portuguesas, considerando que convém "apurar responsabilidades" em todo o processo. "Respeito as leis portuguesas, mas convém apurar responsabilidades sobre esta questão, uma vez que a família de "Michelito" efectuou várias despesas com a deslocação a Portugal e teve, de certeza, vários prejuízos", declarou. "O nosso dever e obrigação passa por assegurar o bem-estar de cidadãos mexicanos em Portugal. Por isso, vamos estar atentos ao desenrolar deste caso", sublinhou. O "bezerrista" franco-mexicano foi impedido de tourear quinta feira em Lisboa, com base na inexistência de um atestado passado por um médico de Medicina do Trabalho e no peso da rês a lidar, um bezerro que pesaria entre 160 e 260 quilogramas, peso que a comissão considerou excessivo para ser lidado por um toureiro de 11 anos. Posteriormente, "Michelito" Lagravére deveria ter toureado no sábado, em Portalegre, mas, poucas horas antes do espectáculo, a empresa promotora do evento recebeu um fax da Inspecção-Geral das Actividades Culturais (IGAC) não autorizando a realização do espectáculo de Variedades Taurinas. Neste espectáculo, o toureiro franco-mexicano repartia cartel com o cavaleiro amador Miguel Moura, de 12 anos. No documento a que a Lusa teve acesso, a IGAC justifica a tomada de posição com base no despacho desfavorável da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Lisboa Centro. "Comunicada à IGAC, através da Autoridade para as Condições de Trabalho, relativamente à actuação em espectáculos tauromáquicos de menores de 16 anos, informa-se que, em conformidade, se encontra revogada a autorização excepcional anteriormente concedida", lê-se. Mauricio Toussaint lamentou também a decisão pelo público aficcionado, que ficou "privado" de ver o toureio de "Michelito", e pelo próprio toureiro, que "ficou muito desiludido". "Esta situação foi muito incómoda, deveria ter sido conhecida uma decisão atempadamente e não em cima da hora dos espectáculos", disse. Em declarações à agência Lusa, o jovem "Michelito" também lamentou a decisão das autoridades portuguesas, considerando-a "incompreensível". Na sequencia destes acontecimentos, o empresário do menino-toureiro, Inácio Ramos Júnior, revelou à Lusa que pondera agir judicialmente contra Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, se não existir, num futuro próximo, uma "excepção" para que o toureiro possa actuar em Portugal. "Estamos a reunir elementos para que a Comissão de Crianças e Jovens autorize o toureiro a cumprir os contratos que tem agendados para Portugal. Se assim não for, nós pretendemos agir judicialmente contra a referida entidade", afirmou. O pequeno toureiro ruma ao México quarta-feira para efectuar exames escolares, mas promete voltar a Portugal "em breve" para poder cumprir uma série de contratos já assinados.