USNA diz que 2011 foi "um ano horrível para o distrito"
18/01/2012, 10:34
No arranque de um novo ano, a União de Sindicatos do Norte Alentejano, em conferência de imprensa realizada na sua sede, e antes de falar dos desafios que se avizinham para 2012, fez o balanço do que foi 2011 no plano sindical. De acordo com o coordenador da USNA, Diogo Júlio, 2011 foi «um ano de grande significado para o movimento sindical do Norte Alentejo», que se caracterizou pela luta «contra as políticas de destruição do distrito, promovidas pelos Governos de José Sócrates e do PPD/CDS. «Mas o balanço não pode ser visto só assim, e não podemos dizer apenas que foi um excelente ano sindical, temos que dizer que foi um ano horrível porque apesar de tudo o que fizemos a situação do distrito de Portalegre era, no final do ano, ainda mais desastrosa do que no início», constata, referindo-se ao facto de, apesar de o distrito manter os cerca de 10 mil desempregados, surgiram situações como o encerramento de empresas e serviços, «centenas de trabalhadores a serem dispensados de serviços públicos, populações privadas do direito à saúde porque lhes encerraram os Centros de Saúde e lhes retiraram o transporte, e privadas do serviço ferroviários entre Abrantes e Espanha», aponta. Referindo-se já a 2012, Diogo Júlio reconhece que a situação que já era má ficou ainda mais agravada, nomeadamente com a suspensão dos contratos dos trabalhadores do Hotel São Mamede mas também «com o Charcas Hotel, o único de cinco estrelas no distrito, a despedir 60 trabalhadores», denuncia o dirigente sindical. Revelando ainda que foi anunciado pelo proprietário do restaurante "A Gruta" vai encerrar este estabelecimento e que na a Pastelaria da Fonte Nova também há dificuldades», Digo Júlio prevê que a situação se agrave porque «não há dinheiro, por isso o problema do comércio vai continuar, assim como o da restauração, etc.». Convicto de que «num distrito como o nosso se não forem tomadas medidas decisivas para alterar esta situação, não vai ser possível resistir», pois «é preciso criar condições para aumentar o poder de compra da população, para que esta possa fazer frente a todos os aumentos que foram feitos ao nível dos serviços, desde os transportes municipais, às rendas, ao gás, à electricidade, etc.», avisa. Assegurando que a USNA não se irá resignar e que não irá permitir que «digam que o caminho para o futuro dos jovens e das empresas é o de emigrar, Diogo Júlio diz mesmo que «não podemos deixar de denunciar que este Governo, que está perfeitamente convencido de que este é o caminho, são os filhos e os netos dos derrotados do 25 de Abril, que estão a fazer um ajuste de contas com a Democracia», afirma, garantindo ainda que «vamos continuar a debater-nos, e o nosso desafio para 2012 é o de mostrarmos a toda a população e todas as organizações colectivas do distrito que é preciso união naquilo que é fundamental ou o distrito desaparece». Diogo Júlio refere que a mensagem que a USNA vai transmitir aos sindicatos é a de que «tudo o que nós conseguirmos fizer é sempre mais legal do que aquilo que eles estão a querer pôr na Lei«, e para isso estão já previstas várias acções de luta.